Brasil
Este artigo discute, a partir do romance Canumã, do professor, pesquisador e escritor indígena munduruku Ytanajé Cardoso, as categorias travessia e permanência na experiência indígena contemporânea, analisando os impactos do colonialismo, com ênfase no silenciamento cultural e na marginalização. Os pressupostos teóricos que fundamentam a discussão são os estudos culturais, pós-coloniais e da subalternidade (Bhabha, 2018; Gilroy, 2012; Hall, 2003; Said, 2011; Spivak, 2018), bem como as formulações epistemológicas da literatura indígena brasileira (Dorrico, 2017, 2018; Graúna, 2013; Krenak, 2020; Cardoso, 2023, 2024; Thiél, 2012). O que se conclui da análise é que tanto a travessia (adaptação à sociedade dominante) quanto a permanência (manutenção no espaço originário) são marcadas por violências simbólicas e materiais, diante das quais a literatura de autoria indígena configura-se um instrumento de resistência e afirmação identitária.
This article discusses, based on the novel Canumã by Ytanajé Cardoso, the categories of crossing and permanence in the contemporary indigenous experience, analyzing the impacts of colonialism, with an emphasis on cultural silencing and marginalization. The theoretical assumptions that underpin the discussion are cultural, post-colonial, and subalternity studies (Bhabha, 2018; Gilroy, 2012; Hall, 2003; Said, 2011; Spivak, 2018), as well as the epistemological formulations of Brazilian indigenous literature (Dorrico, 2017; Graúna, 2013; Krenak, 2020; Cardoso, 2023; Thiél, 2012). The analysis concludes that both migration (adaptation to the dominant society) and permanence (maintenance in the original space) are marked by symbolic and material violence, in the face of which literature authored by indigenous people constitutes an instrument of resistance and affirmation of identity.