En todo el mundo, tanto en países de bajos ingresos como en países desarrollados, las poblaciones sin hogar representan algunos de los grupos más desfavorecidos y vulnerables. Sin embargo, son sin duda las mujeres quienes llevan la pesada carga de la desventaja socioeconómica acumulativa a lo largo de sus vidas, a menudo exacerbada por la violencia patriarcal basada en el género y las suposiciones socioculturales sobre los roles de género. En este artículo, primero revisamos la reciente literatura académica sobre los dañinos estereotipos de género, conceptos erróneos y actitudes sociales críticas que perduran a lo largo de las épocas y tienden a (re)estigmatizar continuamente a las mujeres marginadas y excluidas residualmente. Para superar estos sesgos frecuentes, recomendamos aplicar sistemáticamente perspectivas de género e interseccionales, con un énfasis particular en el análisis profundo de las trayectorias individuales de las mujeres a través de narrativas cualitativas y enfoques biográficos o etnográficos. En segundo lugar, examinamos los factores estructurales e individuales, como los eventos adversos en la infancia, los eventos estresantes de la vida, la violencia doméstica, la violencia de pareja íntima, las enfermedades mentales graves y el trastorno de estrés postraumático, que contribuyen a encerrar a las mujeres en riesgo en un “ciclo de vulnerabilidad perpetua” con pocas posibilidades de reparación o reinserción socioeconómica. Para evitar los múltiples tipos de violencia de género, incluida la recuperación patriarcal de los cuerpos de las mujeres en estrategias de supervivencia en la calle, estas mujeres intentan disimular su presencia urbana para protegerse de la constante agresión sexual, verbal, física y emocional. Destacamos la necesidad de investigaciones participativas empoderadoras y el diseño de políticas que consideren el trauma como algo vivido y sentido a través del cuerpo (cis y trans) femenino.
Across the world, in low-income as well as in developed countries, the homeless populations represent some of the most disadvantaged and vulnerable groups. Still, it is certainly women who carry the heavy load of cumulative socioeconomic disadvantage throughout their lives, often exacerbated by gender-based patriarchal violence and sociocultural gender role assumptions. In this article, we first review the recent academic literature concerning the damaging gendered stereotypes, misconceptions, and judgmental social attitudes that endure through the eras and tend to continually (re)stigmatize the marginalized residentially excluded women. To overcome these frequent biases, we recommend systematically applying gendered and intersectional perspectives, with a particular emphasis on in-depth analysis of women’s individual life trajectories via qualitative narratives and biographical or ethnographic approaches. Secondly, we examine the structural and individual factors, such as adverse childhood events, stressful life events, domestic violence, intimate partner violence, serious mental illnesses, and post-traumatic stress disorder, which contribute to locking at-risk women in a “cycle of perpetual vulnerability” with few possibilities of reparation or socioeconomic reinsertion. To avoid the multiple types of gender-based violence, including patriarchal recuperation of women’s bodies in strategies of street survival, these women attempt to dissimulate their urban presence to protect themselves from constant sexual, verbal, physical, and emotional aggression. We highlight the need for empowering participative research and policy design that considers trauma as lived and felt through the female (cis and trans) body
Em todo o mundo, tanto em países de baixa renda quanto em países desenvolvidos, as populações sem-teto representam alguns dos grupos mais desfavorecidos e vulneráveis. Ainda assim, são certamente as mulheres que carregam o pesado fardo da desvantagem socioeconômica acumulada ao longo de suas vidas, muitas vezes exacerbada pela violência patriarcal baseada em gênero e por suposições socioculturais sobre os papéis de gênero. Neste artigo, revisamos primeiro a literatura acadêmica recente sobre os estereótipos de gênero prejudiciais, equívocos e atitudes sociais julgadoras que perduram através das eras e tendem a (re)estigmatizar continuamente as mulheres marginalizadas e excluídas residualmente. Para superar esses preconceitos frequentes, recomendamos a aplicação sistemática de perspectivas de gênero e interseccionais, com ênfase particular na análise aprofundada das trajetórias de vida individuais das mulheres por meio de narrativas qualitativas e abordagens biográficas ou etnográficas. Em segundo lugar, examinamos os fatores estruturais e individuais, como eventos adversos na infância, eventos estressantes da vida, violência doméstica, violência por parceiro íntimo, doenças mentais graves e transtorno de estresse pós-traumático, que contribuem para aprisionar mulheres em risco em um “ciclo de vulnerabilidade perpétua” com poucas possibilidades de reparação ou reinserção socioeconômica. Para evitar os múltiplos tipos de violência de gênero, incluindo a recuperação patriarcal dos corpos das mulheres em estratégias de sobrevivência nas ruas, essas mulheres tentam dissimular sua presença urbana para se protegerem da constante agressão sexual, verbal, física e emocional. Destacamos a necessidade de pesquisas participativas capacitadoras e de elaboração de políticas que considerem o trauma como vivido e sentido através do corpo (cis e trans) feminino.