Introducción: Uruguay fue el primer país en regular la comercialización de cannabis, mediante autocultivo, clubes y farmacias. A pesar de esto, el mercado negro continúa siendo una fuente de abastecimiento. Este estudio transversal y basado en una muestra de conveniencia analizó la asociación de edad, sexo y fuentes de adquisición con los patrones de consumo y las consecuencias asociadas en usuarios uruguayos. Se exploró el papel del malestar psicológico, estrategias conductuales de protección (ECP) y los motivos de consumo, analizando mediante un modelo de mediación atemporal la relación entre estas variables y consecuencias de uso de cannabis. Métodos: Participaron 928 personas que usan cannabis. Resultados: Los clubes fueron la fuente legal más común y se asociaron con mayor consumo (p<.001, η2p=.04) y riesgo de trastorno por uso (p<.05, V=.08). Las personas que recurrían a fuentes ilícitas reportaron más malestar y consumo de cannabis de alta potencia. El malestar estuvo indirectamente asociado a frecuencia y consecuencias vía motivos de afrontamiento y menor uso de ECP. Conclusiones: Las limitaciones en el acceso a cannabis legal potente favorecen el uso ilícito. El malestar emerge como un factor central en los daños asociados, lo que subraya la necesidad de intervenciones sobre la demanda y ECP.
Introduction: Uruguay became the first country to regulate the commercialization of cannabis, offering three legal outlets: home cultivation, cannabis clubs, and pharmacies. Despite this, black-market sources remain popular. This observational (survey-based), cross-sectional study assessed the association of age, sex, and cannabis acquisition sources with patterns of cannabis use and consequences among Uruguayan residents, as well as on psychological distress, protective behavioral strategies (PBS), and cannabis use motives. We also tested the atemporal, contemporary, sequential mediation of motives and PBS in the association between distress and the cannabis outcomes.Method: People who use cannabis selected via a non-probabilistic, convenience sample (N=928, Mage=30.4 years), completed a survey assessing frequency, potency, consequences, and related psychological variables. Results: Cannabis clubs were the most common legal source and were associated with higher use (p<.001, η2p=.04) and increased risk of cannabis use disorder (p<.05, V=.08). Those who relied on illicit sources reported greater psychological distress and use of high-potency cannabis. Distress was indirectly associated with frequency and consequences via coping motives and reduced PBS. Conclusions: Gaps in access to potent legal cannabis may drive continued illicit use. Psychological distress is a key factor in cannabis-related harm. Interventions should address high-potency demand and promote harm-reduction strategies.
Introdução: O Uruguai foi o primeiro país a regulamentar a comercialização de cannabis, por meio de autocultivo, clubes e farmácias. Apesar disso, o mercado ilegal continua sendo uma fonte de abastecimento. Este estudo transversal, baseado em uma amostra de conveniência, analisou a associação entre idade, sexo e fontes de aquisição com os padrões de consumo e as consequências associadas em usuários uruguaios. Explorou-se o papel do mal-estar psicológico, das estratégias comportamentais de proteção (ECP) e dos motivos de consumo, analisando, por meio de um modelo de mediação atemporal, a relação entre essas variáveis e as consequências do uso de cannabis. Métodos: Participaram 928 pessoas que usam cannabis. Resultados: Os clubes foram a fonte legal mais comum e associaram-se a maior consumo (p<0,001, η2p=0,04) e risco de transtorno por uso (p<0,05, V=0,08). As pessoas que recorriam a fontes ilícitas relataram mais mal-estar e consumo de cannabis de alta potência. O mal-estar esteve indiretamente associado à frequência e às consequências via motivos de enfrentamento e menor uso de ECP. Conclusões: As limitações no acesso à cannabis legal potente favorecem o uso ilícito. O mal-estar emerge como um fator central nos danos associados, ressaltando a necessidade de intervenções sobre a demanda e sobre as ECP.