La atención a la violencia de género desde la psicología clínica se ha ampliado de centrarse solo en las víctimas a incluir también a quienes la ejercen. En la práctica clínica con grupos de varones se detectó estancamiento en el proceso psicoterapéutico cuando sus círculos sociales etiquetaban sus cambios conductuales como “dejar de ser hombres”. Por ello, esta investigación tuvo como objetivo evidenciar como la construcción, entendimiento y autoconcepción de lo percibido como ser hombre puede mermar el proceso psicoterapéutico de los varones tendiente a erradicar la violencia de género, en la zona metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México. Este estudio sigue un enfoque cualitativo con un diseño fenomenológico, basado en un paradigma constructivista, para analizar la relación entre la masculinidad tradicional y la renuncia a la violencia. Se emplea la entrevista semiestructurada como instrumento principal, aplicada a varones que recibieron atención psicoterapéutica para abandonar conductas violentas, principalmente contra sus parejas. Los datos se analizan mediante un enfoque narrativo, permitiendo explorar los significados y experiencias personales de los participantes en su proceso de cambio. Se determinó que, los hombres que buscan abandonar la violencia enfrentan barreras sociales y familiares que refuerzan la idea de que la hombría implica poder y control. Se identificaron altos niveles de ansiedad, depresión y estrés postraumático, así como el uso de la violencia como validación social. Finalmente, se advierte cómo las definiciones dominantes de la hombría contribuyen a la normalización de la violencia en la sociedad, dificultando su erradicación y la transformación de las relaciones de género.
Attention to gender-based violence within clinical psychology has expanded from focusing solely on victims to also including those who perpetrate it. In clinical practice with groups of men, stagnation was observed in the psychotherapeutic process when their social circles labeled their behavioral changes as “no longer being men.” Therefore, this research aimed to demonstrate how the construction, understanding, and self-conception of what is perceived as being a man can hinder the psychotherapeutic process of men seeking to eliminate gender-based violence in the metropolitan area of Guadalajara, Jalisco, Mexico. This study follows a qualitative approach with a phenomenological design, grounded in a constructivist paradigm, to analyze the relationship between traditional masculinity and the abandonment of violence. The main instrument used was the semi-structured interview, applied to men who received psychotherapeutic care to cease violent behaviors, primarily against their partners. Data were analyzed through a narrative approach, allowing for an exploration of the participants’ personal meanings and experiences throughout their process of change. The findings indicate that men who seek to renounce violence face social and familial barriers that reinforce the idea that manhood entails power and control. High levels of anxiety, depression, and post-traumatic stress were identified, as well as the use of violence as a form of social validation. Finally, it is noted that dominant definitions of manhood contribute to the normalization of violence in society, hindering its eradication and the transformation of gender relations.
A atenção à violência de gênero na psicologia clínica tem se ampliado, deixando de focar exclusivamente nas vítimas para também incluir aqueles que a exercem. Na prática clínica com grupos de homens, observou-se um estancamento no processo psicoterapêutico quando seus círculos sociais rotulavam suas mudanças comportamentais como “deixar de ser homens”. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo evidenciar como a construção, compreensão e autoconcepção do que se percebe como ser homem pode comprometer o processo psicoterapêutico de homens que buscam erradicar a violência de gênero, na região metropolitana de Guadalajara, Jalisco, México. O estudo adota uma abordagem qualitativa com desenho fenomenológico, baseado em um paradigma construtivista, para analisar a relação entre a masculinidade tradicional e a renúncia à violência. Utilizou-se a entrevista semiestruturada como principal instrumento, aplicada a homens que receberam acompanhamento psicoterapêutico para abandonar comportamentos violentos, principalmente contra suas parceiras. Os dados foram analisados por meio de uma abordagem narrativa, permitindo explorar os significados e experiências pessoais dos participantes em seu processo de mudança. Constatou-se que os homens que tentam abandonar a violência enfrentam barreiras sociais e familiares que reforçam a ideia de que a masculinidade está associada ao poder e ao controle. Foram identificados altos níveis de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, além do uso da violência como forma de validação social. Por fim, observa-se que as definições dominantes de masculinidade contribuem para a normalização da violência na sociedade, dificultando sua erradicação e a transformação das relações de gênero.