Soraia Ferreira, Júlia Magalhães, Patrícia Rocha, Sónia Novais, Júlia Alves, Paula Carvalho, Daniela Cunha Terto
Introdução: A proximidade da morte transforma a experiência humana, levando a pessoa em situação paliativa a confrontar-se com sentimentos de perda de autonomia, desespero e isolamento. O sofrimento existencial (SE) é influenciado pela consciência da finitude, medo da morte, vazio existencial e culpa. Compreender e abordar o SE é essencial em cuidados paliativos (CP), promovendo uma jornada digna até ao fim da vida, sustentada pela Teoria do Cuidado Transpessoal (TCT) de Jean Watson, que enfatiza uma abordagem humanística e holística. Objetivo: Compreender a perceção, características e interpretação do SE da pessoa em situação paliativa. Metodologia: A revisão integrativa da literatura incluiu artigos de 2014 a 2024, selecionados em bases de dados como PubMed, PsycInfo e Cochrane Library. A análise seguiu a perspetiva holística da TCT, com uma amostra final de 21 estudos. Resultados: Foram identificadas cinco categorias: 1) Significado do SE, nomeadamente perda de controlo e ausência de propósito; 2) Avaliação e estratégias, incluindo a Escala de SE; 3) Intervenções, como Terapia do Significado da Vida; 4) Suporte emocional e familiar; e 5) Fatores que influenciam a superação do SE, como a espiritualidade. Discussão: O SE afeta o bem-estar físico, emocional e espiritual, intensificado pela desmoralização. Intervenções focadas no significado mostram-se promissoras, sendo a sedação paliativa último recurso para casos refratários. A TCT de Watson suporta uma prática centrada na pessoa, com envolvimento familiar e promoção do bem-estar emocional e espiritual, salientando a necessidade de treino especializado. Conclusão: A gestão do SE em CP exige uma abordagem holística que integre dimensões emocionais, espirituais e sociais, para oferecer cuidados sensíveis e humanizados. Reforça-se a importância da formação dos profissionais e a investigação contínua para melhorar a assistência no SE em CP.
Introduction: The proximity of death transforms the human experience, leading the person in a palliative care (PC) to confront feelings of loss of autonomy, despair and isolation. Existential suffering (ES) is influenced by awareness of finitude, fear of death, existential emptiness and guilt. Understanding and addressing ES is essential in PC, promoting a dignified journey to the end of life, underpinned by Jean Watson’s Transpersonal Care Theory (TCT), which emphasizes a humanistic and holistic approach. Objective: To understand the perception, characteristics and interpretation of the palliative care patient’s SE.nMethodology: The integrative literature review included articles from 2014 to 2024, selected from databases such as PubMed, PsycInfo and the Cochrane Library. The analysis followed the holistic perspective of TCT, with a final sample of 21 studies. Results: Five categories were identified: 1) Meaning of ES, namely loss of control and lack of purpose; 2) Assessment and strategies, including the ES Scale; 3) Interventions, such as Meaning of Life Therapy; 4) Emotional and family support; and 5) Factors that influence overcoming ES, such as spirituality. Discussion: ES affects physical, emotional and spiritual well-being, intensified by demoralization. Interventions focused on meaning show promise, with palliative sedation being the last resort for refractory cases. Watson’s TCT supports a person-centered practice, with family involvement and promotion of emotional and spiritual well-being, highlighting the need for specialized training. Conclusion: The management of ES in PC requires a holistic approach that integrates emotional, spiritual and social dimensions, in order to offer sensitive and humanized care. The importance of training professionals and continuous research to improve care for ES in PC is reinforced.