Introdução: Cuidados Paliativos (CP) são uma abordagem centrada na pessoa que visa melhorar a qualidade de vida através do alívio do sofrimento físico, psicossocial e espiritual. A comunicação é essencial para facilitar a tomada de decisões partilhada e promover uma relação empática. As medidas de isolamento na prestação de cuidados trazem desafios à comunicação comprometendo o contacto e a qualidade do cuidado prestado. Objetivo: Explorar os desafios comunicacionais decorrentes das restrições impostas pelo controlo de infeção em CP. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa para obter uma síntese interpretativa e uma perspetiva abrangente sobre o tema em análise. A pesquisa foi efetuada nas bases de dados PubMed, Scopus, Scielo e Cochrane Library, utilizando os termos «Palliative Care», «Communication», «Health Communication», «Videoconferencing», «Infection Control», «Quality of Healthcare» e suas combinações. A pesquisa foi limitada a estudos em pessoas com idade superior a 18 anos e nos idiomas português, inglês e espanhol. Resultados: Foram incluídos 8 artigos no estudo, e, após análise dos dados à luz da Teoria das Relações Interpessoais de Hildegard Peplau, foram definidas quatro categorias que refletem os desafios e as estratégias comunicacionais em CP: Barreiras à comunicação presencial em CP, Estratégias de comunicação adaptadas, Eficácia da comunicação virtual vs. presencial e Impacto da comunicação na qualidade dos cuidados. Discussão dos resultados: Este estudo destaca a importância da comunicação empática, sendo que as tecnologias digitais, apesar de úteis, não substituem o contacto físico necessário. A falta de proximidade afetou a qualidade dos cuidados e as desigualdades no acesso às tecnologias agravaram o cenário. É necessário equilibrar o uso da tecnologia com a humanização dos cuidados, garantindo formação contínua dos profissionais para assegurar qualidade na prestação dos serviços. Conclusão: Este estudo permitiu compreender o impacto das medidas de isolamento e de controlo de infeção na comunicação e na prestação de cuidados em CP, evidenciando o papel das tecnologias emergentes e das novas dinâmicas de interação na mitigação destes desafios. Como limitação deste estudo importa destacar que a utilização de uma revisão narrativa não possibilita uma análise exaustiva da literatura disponível.
Introduction: Palliative Care (PC) is a person-centered approach aimed at improving the quality of life through relief of physical, psychosocial, and spiritual suffering. Communication is essential to facilitate shared decision-making and promote an empathetic relationship. Measures of isolation in care delivery pose challenges to communication, compromising contact and the quality of care provided. Objective: To explore the communication challenges resulting from the restrictions imposed by infection control in PC. Methodology: A narrative review was conducted to obtain an interpretative synthesis and a comprehensive perspective on the topic under analysis. The research was carried out in the PubMed, Scopus, Scielo, and Cochrane Library databases, using the terms «Palliative Care,» «Communication,» «Health Communication,» «Videoconferencing,» «Infection Control,» «Quality of Healthcare,» and their combinations. The search was limited to studies involving individuals over 18 years of age and in Portuguese, English, and Spanish languages. Results: Eight articles were included in the study, and after data analysis in light of Hildegard Peplau’s Theory of Interpersonal Relations, four categories were defined that reflect the challenges and communication strategies in PC: Barriers to face-to-face communication in PC, Adapted communication strategies, Effectiveness of virtual vs. face-to-face communication, and Impact of communication on care quality. Discussion of Results: This study highlights the importance of empathetic communication, indicating that digital technologies, although useful, do not replace the necessary physical contact. The lack of proximity affected the quality of care, and inequalities in access to technology exacerbated the situation. It is necessary to balance the use of technology with the humanization of care, ensuring continuous professional training to maintain quality in service delivery. Conclusion: This study provided an understanding of the impact of isolation and infection control measures on communication and care provision in PC, highlighting the role of emerging technologies and new interaction dynamics in mitigating these challenges. It is important to note, as a limitation of this study, that the use of a narrative review, while allowing for an interpretative and contextualized view, does not enable an exhaustive analysis of the available literature.