A violência obstétrica (VO) é uma forma de violência de gênero exercida durante a gravidez, o parto e/ou o pós-parto. Este estudo foca em analisar o impacto dessa violência na saúde mental das mulheres, especificamente no desenvolvimento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) pós-parto. Foi realizada uma revisão sistemática seguindo o método PRISMA, selecionando 15 estudos empíricos publicados entre 2019 e 2024. Os resultados confirmaram uma relação entre a VO e o TEPT, evidenciando que a sintomatologia aumenta com o tempo decorrido desde o parto. Foram identificadas como práticas de VO mais prejudiciais o abuso físico e verbal, a falta de consentimento em intervenções, a negligência e a desumanização do processo de parto. A prevalência de TEPT pós-parto varia entre 6% e 20%, sendo maior em mulheres que sofreram VO. Como fatores protetores destacam-se o tratamento respeitoso por parte dos profissionais de saúde, o apoio contínuo de um parceiro, familiar ou doula, e o empoderamento das mulheres durante o parto. Também são benéficas práticas como o contato pele a pele e o início precoce da amamentação. Esses achados ressaltam a necessidade de implementar políticas de atendimento perinatal respeitoso e de capacitar o pessoal de saúde para prevenir a VO e suas consequências. A percepção do processo de parto e do tratamento recebido tem efeitos duradouros na saúde mental materna, afetando o vínculo mãe-bebê e a qualidade de vida a longo prazo.
Obstetric violence (OV) is a form of gender-based violence exercised during pregnancy, childbirth, and/or the postpartum period. This study focuses on analyzing its impact on women’s mental health, specifically the development of postpartum post-traumatic stress disorder (PTSD). A systematic review was conducted following the PRISMA method, selecting 15 empirical studies published between 2019 and 2024. The results confirmed a relationship between OV and PTSD, showing that symptoms increase over time after childbirth. The most harmful OV practices identified include physical and verbal abuse, lack of consent for interventions, negligence, and the dehumanization of the birthing process. The prevalence of postpartum PTSD ranges between 6% and 20%, being higher in women who experienced OV. Protective factors include respectful treatment by healthcare professionals, continuous support from a partner, family member, or doula, and the empowerment of women during childbirth. Beneficial practices such as skin-to-skin contact and early initiation of breastfeeding were also highlighted. These findings emphasize the need to implement respectful perinatal care policies and train healthcare personnel to prevent OV and its consequences. The perception of the birthing process and the care received has lasting effects on maternal mental health, affecting the mother-baby bond and long-term quality of life.