Este trabajo postula que el cosquilleo no es un mero reflejo fisiológico, sino una estructura psíquica fundacional. Se origina en la díada pre-verbal madre-bebé, donde funciona como un proto-chiste que permite la descarga económica de tensiones libidinales y agresivas. Esta interacción primordial inscribe una complacencia somática en el cuerpo, una memoria afectiva que puede servir, en la vida adulta, como un sitio privilegiado para la conversión histérica. El análisis sigue una trayectoria genealógica y psicoanalítica, ras- treando el fenómeno desde la filosofía clásica (Aristóteles, Platón), la literatu- ra (Shakespeare) y la biología evolutiva (Darwin) hasta un examen profundo con las herramientas teóricas de Sigmund Freud. Se argumenta que el cosqui- lleo es un fenómeno privilegiado para comprender la articulación entre soma y psique, los orígenes pre-verbales del humor y la capacidad para la gestión de la ambivalencia. Se concluye que los patrones relacionales establecidos en el juego del cosquilleo resurgen en la clínica de adultos a través de la transfe- rencia somática, revelando su importancia para el diagnóstico y la interven- ción psicoanalítica.
Este trabalho propõe que as cócegas não são um simples reflexo fisio- lógico, mas sim uma estrutura psíquica fundacional. Origina-se na día- de pré-verbal mãe-bebê, onde funciona como um proto-chiste que permite a descarga econômica de tensões libidinais e agressivas. Esta interação primordial inscreve uma complacência somática no corpo, uma memória afetiva que pode servir, na vida adulta, como um lugar privilegiado para a histeria de conversão. A análise segue uma traje- tória genealógica e psicanalítica, rastreando o fenômeno a partir da filosofia clássica (Aristóteles, Platão) da literatura (Shakespeare) e da biologia evolutiva (Darwin), inclusive um exame profundo com as ferra- mentas teóricas de Sigmund Freud. Argumenta-se que as cócegas são um fenômeno privilegiado para compreender a articulação entre soma e psique, as origens pré-verbais do humor e a capacidade para a ges- tão da ambivalência. Conclui-se que os padrões relacionais estabele- cidos no jogo das cócegas ressurgem na clínica de adultos através da transferência somática, revelando a sua importância para o diagnóstico e intervenção psicanalítica.
It is postulated that tickling is not merely a physiological reflex, but a fun- damental psychic structure. It originates in the preverbal mother-baby dyad, where it functions as a proto-joke that allows for the economi- cal discharge of libidinal and aggressive tensions. This primal interac- tion inscribes in the body a somatic complacency, an affective memory that can serve, in adult life, as a privileged site for hysterical conversion.
The paper follows a genealogical and psychoanalytic trajectory, tracing the phenomenon from classical philosophy (Aristotle, Plato), literature (Shakespeare), and evolutionary biology (Darwin) to an in-depth exami- nation using Sigmund Freud’s theoretical tools.
It is argued that tickling is a privileged phenomenon for understan- ding the articulation between soma and psyche, the preverbal origins of humor, and the capacity for managing ambivalence. It is concluded that the relational patterns established in the game of tickling resurfa- ce in adult clinical practice through somatic transference, revealing its importance for diagnosis and psychoanalytic intervention.