Sandra Goldstein
Este artículo explora el lugar del humor en la transferencia analítica desde la segunda tópica freudiana, articulando teoría, clínica y herencia filogenéti- ca. Se sostiene que el humor, lejos de ser un recurso superficial, puede operar como vía de simbolización frente a la compulsión de repetición, especialmen- te cuando el superyó arcaico heredado reclama castigo. A través de ejemplos surgidos de mi práctica clínica, se muestra cómo una intervención humorís- tica permite abrir una posibilidad en la escena transferencial. Sin embargo, también se advierte sobre su doble filo: cuando no es trabajado, el humor pue- de convertirse en expresión del propio superyó del analista. El texto propone así una lectura del humor como intervención ética, encarnada y afectiva, que implica tanto al paciente como al analista en sus historias inconscientes indi- viduales y heredadas.
Este artigo explora o lugar do humor na transferência analítica a partir da segunda tópica freudiana, articulando teoria, clínica e herança filo- genética. Defende-se que o humor, longe de ser um recurso superficial, pode agir como via de simbolização diante da compulsão à repetição, especialmente quando o superego arcaico herdado reclama casti- go. Através de exemplos, surgidos da minha prática clínica, mostra-se como uma intervenção humorística permite abrir uma possibilidade na cena transferencial. Entretanto, também se adverte que pode ser uma faca de dois gumes: quando não for trabalhado, o humor pode trans- formar-se em expressão do próprio superego do analista. O texto pro- põe, assim, uma leitura do humor como intervenção ética, encarnada e afetiva, que implica tanto o paciente como o analista nas suas histórias inconscientes individuais e herdadas.
This paper explores the place of humor in analytical transference based on Freud’s second topic, articulating theory, clinical practice, and phylo- genetic inheritance. It is argued that humor, far from being a superfi- cial resource, can function as a means of symbolization in the face of repetition compulsion, especially when the inherited archaic superego demands punishment. Through examples drawn from clinical practi- ce, it is shown how a humorous intervention can open up a possibility in the transference scene. However, some warnings are made on the dou- ble-edged nature of this instrument: when not elaborated, humor can become an expression of the analyst’s own superego.
The paper proposes a reading of humor as an ethical, embodied, affec- tive intervention that involves both the patient and the analyst in their individual and inherited unconscious histories.