Este artigo apresenta algumas reflexões em torno da dinâmica de funcionamento de um Grupo de Ouvidores de Vozes em uma perspectiva de análise das relações de poder e saber. O objetivo seria analisar alguns aspectos grupais como o desenvolvimento da técnica de facilitação entre os membros, a narrativa do saber da experiência e o trabalho de troca de estratégias por pares, assim como apresentar algumas relações entre questões de gênero e o fenômeno de escuta de vozes. O método utilizado tratou-se da observação-participante em um grupo de ouvidores de vozes por cerca de 12 meses. Concluiu-se que a abordagem proposta pelo Movimento Intervoice pode contribuir na promoção de transformações nas relações de saber e poder entre membros ouvidores e não ouvidores, desenvolvendo relações mais igualitárias, valorizando interpretações não técnicas de suas trajetórias e reconhecendo a importância da busca por recursos próprios no direcionamento de suas vidas.
Palavras-chave: Facilitação; Narrativa; Ouvidores de vozes; Saber da experiência; Saúde mental