A adoção inter-racial, especialmente de crianças negras por pessoas brancas, configura-se como realidade frequente no Brasil, embora ainda pouco problematizada nos processos de habilitação e espera. Este estudo buscou analisar as narrativas de pessoas brancas habilitadas à adoção, acerca das relações raciais durante a espera no Sistema Nacional de Adoção (SNA), visto que permanece escassa a literatura nacional sobre o tema. Trata-se de um estudo de caso coletivo, conduzido por meio de entrevistas semiestruturadas, realizadas entre 2017 e 2019 em Porto Alegre/RS. Foram incluídos 5 participantes que se declaravam indiferentes quanto à raça da criança pretendida e que aprofundaram as questões raciais nas entrevistas. A análise temática reflexiva dos dados produziu dois eixos temáticos: I. A minimização da raça na adoção e II. A construção do letramento racial na adoção. Os resultados evidenciam a necessidade de que pretendentes brancos problematizem sua branquitude, exercitem o letramento racial crítico e pratiquem a socialização racial. Já as equipes psicossociais e o SNA, deveriam incorporar o letramento racial como critério para a habilitação para adoção inter-racial. Tais estratégias podem fortalecer vínculos familiares, favorecer ambientes protetivos e contribuir para o desenvolvimento saudável de crianças negras em famílias adotivas inter-raciais.
Interracial adoption, especially of Black children by white adults, is a frequent reality in Brazil, though still underexplored in adoption eligibility and waiting processes. This study analyzed the narratives of white prospective adoptive parents about racial relations during the waiting period in the National Adoption System (SNA), given the scarcity of national literature on the subject. It is a collective case study, based on semi-structured interviews conducted between 2017 and 2019 in Porto Alegre, RS. Five participants who initially declared indifference to the child’s race, but later deepened racial reflections in the interviews, were included. Reflexive thematic analysis of the data produced two axes: (I) the minimization of race in adoption and (II) the construction of racial literacy in adoption. Results highlight the need for white prospective parents to critically engage with their whiteness, develop racial literacy, and practice racial socialization. Psychosocial teams and the SNA should incorporate racial literacy as a criterion for interracial adoption eligibility. Such strategies can strengthen family bonds, foster protective environments, and contribute to the healthy development of Black children in interracial adoptive families.