Mary Jane Spink
Esse artigo reflete uma posição pessoal baseada em longa trajetória de pesquisa e interven-ção no contexto brasileiro. O argumento desenvolvido é que as experiências no campo da saúde são complexas e que as práticas profissionais devem ser fundamentadas tanto no sa-ber técnico quanto na formação ampliada. A complexidade aqui referida não trata mera-mente de pontos de vista diferentes: das pessoas saudáveis, pacientes, médicos, profissio-nais de saúde, gestores e, é claro, da ciência. Trata-se da concomitância de múltiplas ver-sões, de realidades fractais que são performadas de diferentes formas pelos muitos actantes sociais e materiais que estão presentes nessa rede heterogênea. O argumento do texto está estruturado em duas partes. A primeira meramente reposiciona multiplicidade na perspecti-va da Psicologia como uma profissão da Saúde. A segunda propõe que a ação em contextos complexos exige ampla base de informação fundada mais em erudição do que em saberes técnicos: é a familiaridade com questões que são culturalmente, historicamente e direta ou indiretamente relacionadas com a organização cotidiana da atenção em saúde que irá anco-rar práticas cotidianas políticas e éticas