David Tavares de Sousa, Bruno Felipe de Santana Santos, Adson de Brito Pereira, Aynoan Alves de Melo Santos
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) apresenta aspectos neurobiológicos, cognitivos e comportamentais comprometidos. Cerca de um terço das pessoas com TDM evoluipara a Depressão Resistente ao Tratamento (DRT), caracterizada pela falha de resposta aos antidepressivos com dose e duração adequadas. Logo, tratamentos de primeira linha, como os Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRSs), mostram limitações como resistência, risco de recaída e baixa adesão. Novos tratamentos como a Psicoterapia Assistida por Psilocibina (PAP) estão sendo estudados para alcançar efeitos rápidos e sustentados. Dado esse panorama, objetivou-se, neste artigo, reunir evidências acerca do uso da PAP para o tratamento de indivíduos com TDM. Para tanto, realizou-se uma revisão sistemática, registrada no PROSPERO sob o númeroCRD420251120011, nas bases de dados MEDLINE, via PubMed, Scopus, CENTRAL e EMBASE, que resultou na inclusão de 10 Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) e um total de 848 participantes. Como resultado, os ensaios clínicos mostraram que o tratamento com psilocibina, a partir da semana 2, diminuiu os escores na escala de depressão e levou a melhorias nos sintomas depressivos. Além disso, foi observada remissão destes sintomas, bem como respostas sustentadas em indivíduos que receberam tratamento com psilocibina comparativamente ao placebo. Conclui-se que, embora o PAP tenha se mostrado eficaz no tratamento do TDM, os estudos apresentam limitações metodológicas relevantes, como composição amostral restrita, ausência de comparadores ativos e acompanhamento limitado a curto prazo. Assim, é necessário realizar pesquisas complementares para fortalecer a validade metodológica e gerar evidências mais robustas.
Major Depressive Disorder (MDD) has compromised neurobiological, cognitive and behavioral aspects. Around a third of people with MDD progress to Treatment Resistant Depression (TRD), characterized by a failureto respond to antidepressants of adequate dose and duration. Therefore, first-line treatments, such as Selective Serotonin Reuptake Inhibitors (SSRIs), show limitations such as resistance, risk of relapse and low adherence. New treatments such as Psilocybin-Assisted Psychotherapy (PAP) are being studied in order to achieve rapid and sustained effects. Given this panorama, the aim of this article was to gather evidence on the use of PAP for the treatment of individuals with MDD. To this end, a systematic review, registered in PROSPERO under the number CRD420251120011, was carried out in the MEDLINE, PubMed, Scopus, CENTRAL and EMBASE databases, which resulted in the inclusion of 10 Randomized Clinical Trials (RCTs) and a total of 848 participants. As a result, the clinical trials showed that treatment with psilocybin, from week 2 onwards, reduced scores on the depression scale and lead to improvements in depressive symptoms. In addition, remission of these symptoms was observed, as well as sustained responses in individuals who received treatment with psilocybin psilocybin compared to placebo. In conclusion, although PAP has been shown to be effective in treating MDD, the studies have significant methodological limitations, such as limited sample composition, lack of active comparators, and limited short-term follow-up. Therefore, further research is needed to strengthen methodological validity and generate more robust evidence.